Como o fuzil virou símbolo das facções no Brasil? Chefe da fiscalização no Rio e Fernandinho Beira-Mar explicam em documentário

  • 01/05/2026
(Foto: Reprodução)
Como o fuzil virou símbolo das facções no Brasil? O final dos anos 80 e começo dos 90 marcou uma mudança no crime organizado brasileiro: as facções trocaram pistolas pelo fuzil. SAIBA MAIS: Territórios - Sob o Domínio do Crime: 100º documentário do Globoplay mostra avanço das facções criminosas no Brasil Segundo o Delegado Vinicius Domingos, responsável pela Coordenadoria de Fiscalização de Armas e Explosivos (CFAE) do Rio de Janeiro, o cinema influenciou nessa transição. “Os filmes americanos de Hollywood mostravam sempre o fuzil AR-15 como a arma do mocinho, como a arma mais desejada naquele momento”, disse. “[Por isso], essa arma passa a ser o bibelô dos criminosos”. O papel dos fuzis na expansão das facções criminosas no Brasil é o tema do segundo episódio do documentário “Territórios - Sob o Domínio do Crime”, que analisa a expansão dessas organizações. A série de seis episódios estreou na quinta-feira (30) e está disponível na íntegra no Globoplay. Luiz Fernando da Costa, um dos maiores traficantes do Brasil, conhecido como Fernandinho Beira-Mar, afirma que a arma não foi pensada para ser usada contra as forças de segurança. “Ele não é para combater a polícia, é para combater os inimigos, mas acaba sendo usado também para combater a polícia’, disse. Já José Júnior, fundador do AfroReggae – organização que promove o impacto social em comunidade --, nega a tese das facções de que a arma serve para defesa. “O cara tem um fuzil na mão alegando que tem que se defender, mas defensor de quem? Do opositor, do inimigo, da polícia? É o que eles alegam. Mas, cada vez mais, essas armas crescem. Essas armas são utilizadas, inclusive, para assaltar trabalhadores em ponto de ônibus. Então, essa justificativa já não existe mais”. O delegado Domingos explica que a utilização dos fuzis pelas facções mudou a forma das polícias usarem armamentos. O Exército passou a doar armamento mais pesado para a Polícia Militar, e a Polícia Civil começou a usar o armamento que era apreendido com integrantes das facções. Como o fuzil virou símbolo das facções no Brasil? Chefe da fiscalização no Rio e Fernandinho Beira-Mar explicam Reprodução/Globoplay O documentário Globoplay lança série documental sobre a expansão do crime organizado A série documental de seis episódios produzida pelo jornalismo da Globo analisa como as organizações passaram a influenciar e impactar a vida social, econômica e política do país através de diferentes modos de operação, do tráfico de drogas ao garimpo ilegal. O objetivo é entender o que levou ao extenso domínio e impunidade dessas organizações, e como as diferentes frentes de combate, dos policiais das operações aos políticos, tentam contornar esse avanço. Para isso, o projeto, que envolveu mais de 29 jornalistas e viagens dentro e fora do Brasil, ouve especialistas em segurança pública, agentes do Estado, jornalistas, vítimas das ações das facções e membros das organizações.

FONTE: https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2026/05/01/como-o-fuzil-virou-simbolo-das-faccoes-no-brasil-chefe-da-fiscalizacao-no-rio-e-fernandinho-beira-mar-explicam-em-documentario.ghtml


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